SÃO PAULO — A infraestrutura de tecnologia e processamento de dados no Brasil vive um momento de mudanças. Durante a realização do Data Center World Brasil, evento que conecta a cadeia de provedores e clientes de infraestrutura digital no país, lideranças do setor debateram quais rumos as companhias brasileiras estão tomando no processamento de dados para Inteligência Artificial (IA).
Em conversa promovida no evento, Vinícius Arruda, CFO da HostDime Brasil, destacou que o ecossistema brasileiro de data centers está direcionando seus holofotes para o edge computing (computação de borda) e para a inferência de IA, superando a visão centrada exclusivamente no treinamento de grandes modelos.
Do treinamento à inferência na borda
Segundo Arruda, enquanto a maior parte do mercado associa soluções de IA a infraestruturas distantes voltadas ao treinamento massivo de algoritmos, um amplo vetor de crescimento e investimento no mercado nacional se encontra no processamento descentralizado e de baixa latência junto ao usuário final.
"As soluções de IA que o mercado conhece geralmente são para aplicações de treinamento. E a HostDime, por estar próxima do usuário final com data centers que ficam na borda, atende diretamente às aplicações de inferência de IA, que é o futuro dos investimentos no Brasil", afirmou o CFO.
A computação de borda armazena e processa dados o mais próximo possível de onde eles são gerados, um modelo de arquitetura que reduz o tempo de resposta (latência) e a necessidade de tráfego contínuo até nuvens centrais remotas, sendo indispensável para aplicações críticas, como automação industrial, sensores IoT e redes 5G.
A título de comparação, a comunicação com servidores no exterior via cabos submarinos pode registrar uma latência superior a 150 milissegundos, um tempo inviável para operações de alta precisão.
Incentivos fiscais e o papel do Redata
Outro pilar decisivo para viabilizar e atrair capital para essa malha descentralizada é a modernização do ambiente tributário e legislativo brasileiro. Arruda apontou o regime Redata como uma medida fundamental para nivelar as condições de competitividade do mercado nacional em relação aos grandes hubs mundiais.
"Falando em investimentos, o cenário governamental e de tributação com o próprio Redata é um pontapé inicial para o Brasil começar a fazer frente aos players internacionais", ressaltou o executivo.
A consolidação de programas de incentivo fiscal ao setor de data centers confere previsibilidade jurídica e atrai novos investimentos em colocation, servidores dedicados e nuvem híbrida, permitindo a expansão sustentável da infraestrutura crítica em território nacional.
O que é o Redata? - O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) é um marco regulatório brasileiro criado para atrair investimentos em centros de dados e impulsionar a infraestrutura de inteligência artificial e computação em nuvem no país.
O Brasil no cenário global
A mudança de perspectiva também impulsiona a ambição das empresas locais. Para o CFO, o objetivo atual é colocar o país no mapa global dos serviços avançados de tecnologia, migrando de uma posição consumidora para a de provedora global de capacidade computacional em IA.
"Os esforços estão concentrados em colocar o Brasil nesse mapa internacional, mudando o foco das empresas brasileiras do mercado interno para que sejam players globais de IA", observou Arruda.
O sentimento geral registrado no evento é de otimismo quanto ao volume de novos negócios e parcerias., favorecido por uma matriz energética predominantemente renovável e por um mercado interno dinâmico com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil apresenta atributos únicos para a aceleração digital da América Latina.
Infraestrutura certificada para a era da IA
Para dar suporte a esse volume crescente de inferência de IA e processamento local de dados, provedores de infraestrutura como a HostDime Brasil utilizam instalações próprias com certificação Tier III auditadas pelo Uptime Institute em polos estratégicos do país, como São Paulo e João Pessoa.
Além da garantia de alta disponibilidade e continuidade operacional sem interrupções, a hospedagem dos dados em solo nacional assegura conformidade direta com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e elevados padrões internacionais de segurança da informação.