A HostDime Brasil anunciou um investimento de R$ 250 milhões para expandir seu data center no bairro dos Estados, em João Pessoa, com capacidade energética de até 15 megawatts. O início das obras está previsto ainda para 2026, com operação a partir de 2028. Entenda o que esse projeto representa e como ele se conecta à operação que já existe na cidade desde 2017, e a empresa que está na Paraíba desde 2006.

Perguntas sobre consumo de água, gasto de energia, ruído e geração de empregos aparecem sempre que um data center é discutido em uma cidade. Este artigo reúne números e explicações sobre o funcionamento de um data center e sobre o que a presença da HostDime representa hoje para João Pessoa.


O que é um data center e o que ele faz em uma cidade?

Um data center é uma instalação com servidores, sistemas de energia, refrigeração e redes que mantêm aplicações, sites, bancos de dados e serviços digitais funcionando de forma contínua.

Em João Pessoa, a estrutura da HostDime Brasil hospeda sistemas usados por órgãos públicos, empresas de saúde, instituições de apoio a pequenos negócios e companhias privadas da região.

Se você utiliza algum sistema digital, seus dados já passaram por um data center.

data ceter em joao pessoa

O que é a expansão anunciada pela HostDime em João Pessoa?

A expansão é um novo data center dedicado ao processamento de aplicações de inteligência artificial, com capacidade cerca de cinco vezes maior que a unidade atual, que opera com 3 megawatts. O projeto soma-se à estrutura existente, já usada por órgãos públicos e empresas privadas, e é apresentado pela companhia como a maior instalação de missão crítica em operação própria da Paraíba.


Por que o novo data center é cinco vezes maior que o atual?

Cargas de trabalho de inteligência artificial, especialmente treinamento e inferência de modelos em larga escala, exigem racks com densidade de energia e de processamento muito superior à de aplicações tradicionais. Um rack voltado a IA pode demandar volumes de energia e de refrigeração bem maiores do que um rack convencional, o que exige um projeto físico diferente desde a fundação até os sistemas de energia e resfriamento.


Data centers consomem muita água?

Depende do sistema do tipo de estrutura e do sistema de refrigeração usado. Em alguns projetos, os números realmente são altos, mas os data centers podem utilizar sistemas de refrigeração completamente diferentes entre si. A arquitetura de cooling da HostDime Brasil não depende de consumir continuamente grandes volumes de água para retirar o calor dos servidores.

Instalações que resfriam o ar por evaporação repõem água continuamente e em grande volume, já sistemas de circuito fechado utilizam a mesma água muitas vezes, repondo apenas uma fração pequena, perdida por evaporação natural ou manutenção.

No data center da HostDime, a água percorre esse circuito fechado, transporta o calor, é novamente resfriada e volta a circular. Em vez de ser usada uma vez e descartada, é reutilizada continuamente.

Na operação atual, a reposição informada para esse circuito é de 240 ml por chiller (equipamento de refrigeração) mensalmente. Com seis chillers em operação, o total de água gasta para resfriamento de máquinas é inferior a dois litros de água por mês.

Esses dois litros se referem à reposição necessária no circuito de refrigeração, e demais gastos com recursos hídricos são como o de qualquer outro prédio comercial: para banheiros, copa, limpeza e consumo humano.

Comparar diretamente o consumo de água de data centers diferentes costuma levar a conclusões equivocadas, porque a tecnologia de resfriamento usada muda completamente a equação.

Um data center maior consome água e energia na mesma proporção?

Não necessariamente. O tamanho de um data center não determina sozinho o volume de água ou energia consumido por unidade de processamento, mas a tecnologia de refrigeração usada é o fator decisivo. A nova unidade está sendo projetada para operar com refrigeração líquida direct-to-chip, técnica em que o líquido remove o calor diretamente nos componentes que mais aquecem, em vez de depender apenas de grandes volumes de ar frio. Isso tende a reduzir a energia necessária por unidade de processamento em comparação com sistemas de refrigeração a ar tradicionais.

Quanto de energia o data center usa e de onde ela vem?

Servidores funcionam de forma ininterrupta e demandam energia constante para processamento e refrigeração. Na HostDime, essa energia vem de uma usina solar própria, construída com investimento de aproximadamente R$ 5,5 milhões na Paraíba e que cobre cerca de 129% do consumo da infraestrutura.

A operação também passou por atualizações de climatização voltadas à redução do PUE (Power Usage Effectiveness), métrica criada pela organização internacional The Green Grid para medir quanta energia de um data center é usada pelos servidores em relação ao total consumido pela infraestrutura de apoio.

Quanto menor o PUE, menos energia extra é necessária para manter os equipamentos em operação, o que reduz desperdício e custo por unidade de processamento.

usina solar hostdime


Data center causa poluição sonora na vizinhança?

Equipamentos de refrigeração e geradores produzem ruído, e esse ponto foi observado desde o projeto da instalação em João Pessoa, por isso, a unidade foi projetada com isolamento acústico e redutores de ruído em equipamentos críticos, além de passar por avaliações técnicas de ruído ao longo da operação. Isso não elimina o funcionamento dos equipamentos, mas reduz o impacto sonoro percebido pela vizinhança.


Quantos empregos um data center gera em João Pessoa?

Mais de 100 pessoas já compõem a equipe da HostDime na Paraíba em 2026, em áreas como operações, redes, segurança da informação, suporte, desenvolvimento, facilities, comercial, administração, marketing e atendimento.

A empresa também mantém programas de estágio e jovem aprendiz, que abrem porta de entrada para profissionais que, sem essas oportunidades, muitas vezes precisariam deixar a região para atuar em tecnologia.

Com a expansão, a perspectiva é de que o número de trabalhadores e especialistas aumente exponencialmente, já que uma grande infraestrutura depende de diversas áreas para alcançar alto desempenho.


Quem fiscaliza e certifica um data center no Brasil?

Empreendimentos desse tipo estão sujeitos ao licenciamento ambiental dos órgãos estaduais, além de normas municipais sobre ruído e uso do solo e à regulação do setor elétrico pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Paralelamente, certificações internacionais como ISO 27001, ISO 9001 e ISO 22301 dependem de auditorias externas independentes e rigorosas, que verificam periodicamente se os processos declarados são de fato seguidos.

O licenciamento ambiental específico para data centers está em discussão em vários estados brasileiros, à medida que o setor cresce e novas normas para o segmento são elaboradas.


Qual o retorno desse investimento para a cidade?

Parte da infraestrutura da HostDime em João Pessoa já sustenta serviços que atendem diretamente a população, como o Tribunal de Justiça da Paraíba, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba e a Polícia Civil da Paraíba, que utilizam a estrutura para aumentar a disponibilidade e criar ambientes de contingência.

A Unimed João Pessoa também opera parte de seus sistemas na unidade, e o Sebrae Paraíba usa a infraestrutura em projetos ligados a pequenos negócios e inteligência artificial.

A cidade também abriga um ponto de interconexão do IX.br dentro da estrutura da HostDime, o que aproxima o tráfego de internet da região e reduz a necessidade de dados percorrerem distâncias maiores até outros estados para se comunicarem entre si.

A nova unidade é a única estrutura desse porte entre Minas Gerais e o Ceará, o que preenche uma lacuna de infraestrutura de missão crítica na região Nordeste. Projeções internas da HostDime indicam geração de empregos diretos e indiretos nas áreas de engenharia, operação de data center, redes, segurança da informação e construção civil durante a fase de obras e depois na operação.

Associações do setor de tecnologia, como a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), têm discutido publicamente o tema da soberania digital brasileira, defendendo que o país já reúne parte das capacidades necessárias para reduzir a dependência de infraestrutura hospedada fora do território nacional. Um data center de grande porte operado de forma própria e brasileira, como o que está sendo construído em João Pessoa, se conecta diretamente a essa discussão.

O projeto também recebeu cobertura de veículos como O Globo, Valor Econômico, TecMundo e Data Center Dynamics, o que indica repercussão além do mercado local.


Como comparar esse data center com casos negativos noticiados no Brasil e no mundo?

Notícias recentes sobre data centers em outros países e em outros estados brasileiros costumam envolver projetos novos, sem licenciamento concluído ou sem histórico de operação. É o caso de discussões em curso em diferentes regiões, motivadas por empreendimentos ainda em fase de planejamento ou implantação.

O data center da HostDime em João Pessoa segue um caminho diferente: opera desde 2017, com histórico de licenciamento, contratos com instituições que exigem auditoria de segurança e dados de consumo que podem ser verificados junto à própria operação. Comparar uma instalação em funcionamento há quase dez anos com projetos recém-anunciados em outras regiões, com tecnologias de resfriamento diferentes, tende a gerar conclusões que não refletem a realidade local.


Perguntas frequentes sobre o data center em João Pessoa

Há quanto tempo a HostDime está em João Pessoa? A operação na Paraíba começou em 2006, e o data center próprio em João Pessoa funciona desde 2017.

O sistema de refrigeração desperdiça água? Não. O circuito é fechado e a água é reutilizada continuamente, com reposição inferior a dois litros por mês apenas para compensar perdas do circuito de refrigeração.

Quantas pessoas trabalham no data center? Mais de 100 profissionais compõem a equipe da HostDime na região, além de vagas de estágio e jovem aprendiz.

Quais órgãos públicos usam essa infraestrutura? Tribunal de Justiça da Paraíba, Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, Polícia Civil da Paraíba, Unimed João Pessoa e Sebrae Paraíba estão entre as instituições que utilizam parte da estrutura.

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