Conheça o OpenClaw, antigo Moltbot, agente de inteligência artificial local capaz de executar tarefas no navegador e no sistema operacional.


Foto: Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Com o lema “the AI that actually does things”, o assistente OpenClaw/Moltbot tem chamado a atenção de entusiastas de tecnologia. O ajudante é capaz de coordenar ações entre Whatsapp, Gmail, Agenda e outros apps de produtividade, entender e atender pedidos em áudios, organizar arquivos e se mover executando tarefas complexas de forma autônoma.

Apesar do avanço diário dos assistentes de inteligência artificial, a maioria das soluções opera de forma limitada e restrita a conversas e respostas generativas. Anteriormente conhecido como Clawdbot, propõe uma abordagem diferente: atuar como um agente de IA, capaz de executar ações reais no computador do usuário.

Em vez de apenas interpretar comandos, o OpenClaw interage diretamente com o sistema operacional, navegador e aplicativos, assumindo tarefas que normalmente exigiriam intervenção humana. Apesar dos avanços, a execução de ações diretas dependentes de altos níveis de permissões apresenta riscos à privacidade dos usuários. 


O que é o OpenClaw e como ele funciona?

O OpenClaw é um agente de IA que roda localmente no ambiente, diferente de assistentes que operam exclusivamente na nuvem. Isso significa que ele tem capacidade de criar arquivos, organizar pastas, executar comandos no terminal e navegar por sites como se fosse um operador humano.

Gratuito e open source, o agente precisa ser conectado a um modelo de linguagem (LLM), que atua como seu “cérebro”. Durante a instalação, é possível integrá-lo a serviços como OpenAI (ChatGPT), Google Gemini e Anthropic Claude. Se você já paga por uma dessas ferramentas, não haverá custos.

A instalação é técnica e exige familiaridade com linha de comando. No Windows, por exemplo, é necessário utilizar o PowerShell, ter o Node.js instalado e configurar corretamente as chaves de API do modelo escolhido.


Diferenciais do OpenClaw/Moltbot frente a outras IAs

Fundado pelo desenvolvedor austríaco Peter Steinberger, se destaca principalmente por três capacidades que o colocam em uma categoria diferente dos chatbots tradicionais.

A primeira é a navegação web automatizada. O agente consegue preencher formulários, clicar em botões e executar fluxos completos em sites, desde que o usuário instale manualmente uma extensão específica no navegador.

O segundo diferencial é o controle do sistema local, que permite gerenciar arquivos e pastas, organizar downloads, realizar uploads automáticos e executar comandos diretamente no ambiente do usuário.

O terceiro ponto é a integração com canais de mensagem. O agente pode ser conectado a plataformas como Telegram, WhatsApp ou Discord, permitindo que comandos sejam enviados remotamente, sem que o usuário esteja fisicamente diante do computador.


Crons: automação periódica como principal inovação

O recurso mais relevante do OpenClaw são os chamados crons, um sistema de tarefas recorrentes que permite ao agente executar ações de forma autônoma em intervalos definidos.

Na prática, isso transforma o agente em um operador contínuo, capaz de trabalhar sem comandos manuais constantes. Alguns exemplos demonstrados incluem:

  • Monitorar diariamente postagens virais em redes sociais, reescrevê-las e enviar por e-mail;
  • Acompanhar notificações de carrinho abandonado em sistemas de venda e disparar mensagens personalizadas via WhatsApp;
  • Executar verificações periódicas em sites, dashboards ou plataformas internas.

Esse modelo é semelhante a ferramentas de automação avançada, com a diferença de operar diretamente na interface gráfica e no navegador.

Em gestão de redes sociais, o agente identifica novos seguidores, analisa perfis e envia mensagens personalizadas automaticamente.

No contexto de CRM e vendas, o bot pode ler mensagens recebidas, consultar o histórico do cliente e rascunhar respostas com base no contexto. Outro uso demonstrado foi a chamada “espionagem de anúncios”, acessando bibliotecas públicas de anúncios, capturando imagens e organizando esse material localmente.

Também há aplicações voltadas à criação de tutoriais, em que o assistente executa tarefas enquanto registra capturas de tela passo a passo, gerando documentação visual de processos.


Limitações e riscos

Apesar do potencial, o OpenClaw ainda apresenta limitações. A estabilidade é um ponto sensível em determinados momentos, com falhas ao executar fluxos mais complexos. Além disso, o aspecto mais crítico está relacionado à segurança.

Para funcionar plenamente, o agente solicita permissões extensivas, incluindo acesso a arquivos, navegador, sessões autenticadas e, potencialmente, dados sensíveis. A recomendação é evitar integrações com gerenciadores de senhas ou conceder acessos irrestritos, pois os riscos são elevados.

Outro ponto relevante é que, para muitas funções específicas, já existem ferramentas mais maduras e estáveis no mercado. Para navegação assistida, soluções como extensões oficiais do Claude ou o Perplexity oferecem uma experiência mais fluida. Para automações estruturadas, plataformas como o n8n seguem sendo mais robustas, ainda que exijam maior curva de aprendizado.


Vale a pena adotar o OpenClaw?

O OpenClaw se mostra uma ferramenta promissora para quem busca automação autônoma recorrente, especialmente em tarefas que envolvem controle de arquivos locais e interação direta com interfaces web. No entanto, ele exige conhecimento técnico, atenção redobrada à segurança e tolerância a instabilidades.

É um experimento avançado que aponta para um futuro em que agentes de IA atuam de forma contínua, executando processos completos com mínima supervisão humana. No entanto, para manter a integridade das organizações que o adotam, é indispensável o processo de monitoramento proativo de IA para execução de comandos inesperados e conexões de saída para domínios desconhecidos.

Foto: Reprodução/Tugatech


É possível rodar OpenClaw/Moltbot em empresas?

Embora o OpenClaw possa ser executado em computadores pessoais, seu uso em ambientes corporativos não é recomendado e exige uma abordagem mais estruturada de infraestrutura, pois apresenta grandes riscos.

Empresas que lidam com dados sensíveis, automações críticas ou múltiplos fluxos simultâneos tendem a se beneficiar ao rodar o agente ou outras ferramentas de IA em servidores dedicados com GPU, em vez de depender de estações de trabalho individuais.

  • Um agente desse tipo pede acesso a arquivos, navegador, sessões autenticadas e, às vezes, integrações com e-mail e produtividade. Isso cria uma superfície de ataque grande e risco de vazamento de dados se houver má configuração, plugins inseguros, credenciais expostas ou abuso por prompt injection.
  • O uso típico é de entusiastas e pessoas que desejam arriscar para experimentar a novidade. O próprio OpenClaw se posiciona como algo que você roda “nos seus dispositivos” e integra canais, o que é poderoso, mas exige governança.

Recomendações de especialistas:

  • Não rodar com credenciais corporativas reais em máquina do usuário;
  • Não apontar para ambientes internos sensíveis (CRM, financeiro, dados de clientes) sem uma camada formal de segurança;
  • Rodar em ambiente isolado (VM, container, rede segregada) com privilégios mínimos e segredos com rotação.

Ao executar o OpenClaw ou diferentes agentes de IA em um servidor dedicado, a empresa centraliza o ambiente de execução, reduzindo riscos operacionais. Ideal para empresas que buscam automação recorrente e autônoma de processos operacionais, nesse cenário, o agente passará a atuar como um componente de automação corporativa, integrado a processos de negócio.

Servidores dedicados com GPU permitem:

  • Execução de modelos de IA localmente, eliminando dependência de APIs externas e custos variáveis por uso;
  • Maior controle sobre dados, evitando que informações estratégicas trafeguem por serviços de terceiros;
  • Capacidade de rodar múltiplos agentes ou crons simultaneamente, sem impacto na performance;
  • Baixa latência na tomada de decisão, essencial para automações recorrentes e sensíveis a tempo;
  • Aplicação de políticas de segurança e compliance.

Esse modelo é especialmente relevante para empresas que operam CRM, marketing, monitoramento de sistemas, análise de dados ou automações contínuas.

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